 95 anos do bondinho
Os 95 anos do Bondinho do Pão de Açucar num livro histórico Por Nara Bianconi

A cinco anos do seu centenário, o lendário bondinho do Pão de Açúcar - talvez o mais famoso cartão-postal do Rio de Janeiro - ganha livro comemorativo bilíngüe. São 200 páginas recheadas de informações que incluem mapas, aquarelas, fotos históricas e relatos de Nelson Motta, Pedro da Cunha e Menezes e Léo Jaime sobre o ícone carioca. Em Bondinho do Pão de Açúcar - 95 anos da Companhia Caminho Aéreo do Pão de Açúcar há também textos dos pesquisadores Diógenes de Almeida Campos e Jorge Pedro Pereira Carauta, além de imagens do fotógrafo Marc Ferrez que esteve no topo do morro antes da construção do bondinho, em 1890.
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O nome Pão de Açúcar surgiu na época do descobrimento do Brasil quando os conhecimentos de cartografia eram precários, e se fazia necessário anotar a descrição das formas geográficas dos novos locais desbravados para poder localizá-los posteriormente. Nessa ocasião também era comum que o açúcar fosse transportado da Ilha da Madeira para consumo na Europa em cones moldados em vasos cujos nomes eram pães de açúcar. "Ao olho da gente quinhentista, a pedra monumental de granito que flanqueia a entrada da Baía de Guanabara era muito semelhante a esse cone. Daí a idéia do batismo", informa o livro. O projeto arquitetônico e sua construção foram de autoria do visionário engenheiro Augusto Ferreira Ramos, em parceria com investidores e aval do Ministério da Fazenda. Segundo o livro"(...) as obras de edificação das estações e instalação do teleférico começaram em 1909 e duraram pouco mais de três anos. Nesse período foram levadas para o alto dos morros da Urca e Pão de Açúcar cerca de quatro mil toneladas de equipamentos mecânicos e elétricos e materiais de construção".
No dia de sua inauguração, o bondinho transportou 577 passageiros - que se aglomeraram em uma extensa fila, da Urca ao Pão de Açúcar. "Na época do bondinho antigo não havia transformador nem gerador. À noite o sinal era dado com uma lanterna. Se houvesse nevoeiro não era possível ver o sinal nem o bonde. Se facilitasse, o bondinho batia. O sinal era uma bola de madeira amarrada no cabo; quando aquele sinal ia chegando lá, a gente tinha que ir parando o bonde, tudo na mão, no controle. Era igual ao bonde da rua, igualzinho", descreve o livro.
No começo da década de 70, o transporte sofreu ampla modernização e teve nova inauguração em 29 de outubro de 1972. A nova fase garantiu a presença do teleférico em pôsteres turísticos, reclames publicitários e em longas-metragens de Hollywood, entre eles o famoso 007 Contra o Foguete da Morte - Moonracker.
Em 2007, em comemoração aos 95 anos da Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar foram adquiridas quatro novas cabines na Suíça com o mesmo formato revolucionário de outrora. Além disso, o complexo do Pão de Açúcar retomou sua agenda de shows e eventos - célebres na década de 80 na casa de espetáculos Noites Cariocas que ficava no alto do morro - recolocando a Urca no roteiro das artes do Rio de Janeiro.

O Bondinho em números
O novo teleférico mede 5,40 m
de comprimento por 3 m de largura
Transporta até 75 passageiros
por viagem
Quando cheio, pesa 10 toneladas
A velocidade da viagem é regulável, chegando a 10 metros por segundo
O trajeto é dividido em 2 trechos:
o que liga a Praia Vermelha ao Morro
da Urca, com 528 metros e o que
segue da Urca para o Pão de Açúcar,
com 750 metros de percurso.
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