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Jorge Takla


O diretor de teatro Jorge Takla confessa seu amor por São Paulo 


Por Nara Bianconi | Fotos: Daniel Cancini

O que West Side Story representa para a sua carreira e para o mercado de musicais nacional?

Dirijo e produzo há mais de 30 anos. São mais de 70 espetáculos, entre óperas, teatros e musicais. Chega uma hora em que você precisa selecionar o que vai fazer, porque as pessoas têm expectativas em relação ao seu trabalho. Selecionar significa escolher particularmente os clássicos. Fiz o My Fair Lady ano passado e agora o West Side Story, que é um pilar, um divisor de águas na história do teatro musical. É uma peça com grandes dificuldades e isso me atrai. É praticamente uma ópera com repertório musical bem sofisticado. É um ápice na minha carreira. O outro grande desafio é que West Side Story, o filme, ganhou 13 Oscars. Então as pessoas chegam aqui conhecendo as músicas e você tem de corresponder a essa expectativa.

Escuto falar que os musicais estão de volta, mas tenho a impressão que eles só acontecem em São Paulo. Quanto disso é verdade?

Só agora o mercado está se expandindo devido às leis de incentivo aos patrocinadores. O público brasileiro sempre gostou do gênero. Nos anos 50 e 60 tínhamos muitos espetáculos. Estamos agora em uma fase boa, mas não sei se os musicais estão de volta como todo mundo fala. Se eu e a T4 Fun pararmos de trazer espetáculos do gênero, eles acabam. Tem um, dois, três por ano. Poucas casas podem receber musicais e elas estão em São Paulo, que está criando uma demanda turística de atrações culturais e gastronômicas. As pessoas do interior vêm para cá passar o final de semana e fecham pacotes com hotéis, restaurantes e teatros. Se São Paulo não tivesse tanta necessidade de atração, nem tanto dinheiro girando, talvez nem tivesse mercado também.

O teatro musical é para a elite?

O teatro no mundo inteiro é para uma elite. E não é só questão de preço, mas de formação e educação. Tem gente que não gosta de ir ao teatro porque fica intimidada. Em temporadas populares a gente tem preços baixos e as pessoas não vêm. E isso não é só no Brasil.

Por que os espetáculos são sempre trazidos de fora?

No Brasil e no mundo inteiro temos um problema porque ninguém sabe escrever musicais. Quem faz musicais bem-feitos são os ingleses e os americanos, então as histórias vêm de lá. Mas tem coisa boa e coisa ruim lá fora também. Por isso estou procurando trazer só os bons.

E nossos artistas? São bons?

Em 1989 era tão difícil conseguir alguém que dançasse! Que cantasse e dançasse era impossível. Cantor lírico era gordo e não se mexia. Ninguém estudava porque não tinha onde atuar. Hoje o cenário mudou. Tive mais de dois mil inscritos para 42 vagas. Eram candidatos extremamente preparados. O nível subiu muito.

Ainda insistimos nos mesmos nomes para atuar nas grandes peças?

Isso não é verdade. Já ouvi muito isso, mas não é verdade. Os protagonistas de My Fair Lady foram o Daniel Boaventura e a Amanda Costa. Nenhum está em West Side Story porque não é o registro deles, por exemplo. Tenho nomes que fizeram ambos, mas só estão nos dois porque são os mais preparados. Para fazer os papéis principais, as coisas funcionam como no balé clássico. Você precisa de pelo menos uns 10 anos de preparação física e técnica. É um treino atlético e, como investimos milhões, não dá para arriscar.

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