 100 anos de migração
As estrelas dos 100 anos da imigração japonesa Por Perla Naum | Fotos Mujica

BRUNO ASSAMI
Além de Diretor de Assuntos Institucionais do Instituto Tomie Ohtake, Bruno é sinônimo de um precioso network na área cultural. Cinema, artes plásticas, vídeo, teatro e dança são sua praia e patrimônio. Teatro e dança, uma paixão à parte, respondem pelo início de sua carreira, como produtor. Formado em Relações Públicas pela FAAP, Bruno agora se define como um administrador cultural.
Dedica-se ao Instituto Tomie Ohtake há seis anos, passou outros seis, no Itaú Cultural. Seu bisavô chegou ao Brasil, nos anos 1920. Montou um jornal, o Diário Nippak e uma editora, em São Paulo. Com a II Guerra, o jornal foi fechado e, passado o conflito, jornal, editora e gráfica voltaram a funcionar, fazendo a família prosperar.
"Isso é que é maravilhoso no Brasil: a diversidade cultural. Num mundo com tanta intolerância, me orgulho de morar e trabalhar num país como este. Essa diversidade possibilita muitos olhares, é uma experiência enriquecedora, onde meu espírito japonês, com vocação para ações coletivas, pode se dedicar a uma organização cultural, de interesse público, como o Instituto Tomie Ohtake. Por outro lado, minha alma brasileira se revela no sincretismo assumido, onde a Umbanda, o Espiritismo, o Budismo Tibetano, o Budismo Japonês e, claro, o Catolicismo, convivem na mais tranqüila harmonia. Uma curiosidade: meu avô paterno era protestante".
RICARDO OHTAKE
"Foi uma decisão. Meu pai, Ushio Ohtake, quis, projetou e veio para o Brasil. Achava uma terra inspiradora, interessante, um desafio. Chegou a estudar Agronomia, antes de partir, na década de 1930, evitando a Guerra do Pacífico, entre a China e o Japão".
"Disposto a ficar apenas alguns meses, acabou trabalhando no laboratório do cunhado, de espírito aventureiro, que já chegara ao Brasil, irmão de minha mãe, Tomie" - conta Ricardo Ohtake, Diretor Presidente do emblemático Instituto Tomie Ohtake, marco cultural da cidade. Além de designer gráfico dos bons, Ricardo foi Secretário de Cultura do Estado de São Paulo, na gestão Fleury, e dirigente do Centro Cultural São Paulo, do Museu da Imagem e do Som e da Cinemateca Brasileira. "Tomie, nossa mãe, cuja obra é exposta e homenageada neste instituto, criado para apresentar novas tendências da arte brasileira e internacional, só estreou nas artes aos 40 anos, durante o surto de modernidade acontecido com a inauguração da Bienal, nos anos 1950."
Aos 95, Tomie permanece jovem, ativa e, mais do que nunca, criativa. Os filhos, Ruy e Ricardo, nasceram em São Paulo. O primeiro, dispensa apresentações. É referência internacional do que de melhor se produz em arquitetura no Brasil. "Nossos pais quiseram que fôssemos educados como brasileiros. Estudamos em colégio de padres, o Dom Bosco e, depois, num memorável colégio público, o Roosevelt".
Ricardo sorri, quando conclui: "O Brasil é nosso lugar. Na primeira vez que fui ao Japão, achava que me sentiria em casa. Nunca me senti tão estrangeiro. Foi aí que senti que, apesar do forte apelo das raízes japonesas, sou na verdade, um brasileiro".
RUY OHTAKE
Meu irmão já contou nossa história", vai logo dizendo nosso arquiteto maior. "Vejo o Brasil como o encontro de três curvas: a da nossa praia, a do Fuji-Yama e a da fibra óptica, expressando a efervescência contemporânea de toda essa gente. Falo do homem que vibra com o futebol, do executivo apressado de Tóquio e não poderia deixar de falar das curvas da mulher: a sutil, da barriga, e aquela exuberante, que desenha uma bunda bonita".
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