 Dimas Schittini
Femme Fatale
Certa vez ele entrou no Gallery com Roberta Close e viu a boate inteira parar. Em outra ocasião, apresentou a então jogadora de basquete Hortência a um dos reis da noite (na época) Victor Oliva e, tempos depois, eles se casaram... Essas e outras histórias fazem parte da vida do fotógrafo Dimas Schittini, que começou a clicar por intuição, aos 14 anos, e nunca mais parou.
img1Dimas Schittini em seu estúdio.
Você trabalhou durante quinze anos cobrindo festas na noite do Gallery. Como era essa época?
Na verdade, em 1979 fui contratado por uma agência de publicidade e assessoria de imprensa chamada Manager, do Giba Um. Nessa época, já tinha lançado um livro e era conhecido da imprensa, fotografava muitas peças de teatro, portrait de society, atrizes, e esse livro teve grande repercussão. O Giba me contratou com um supersalário. A agência tinha clientes importantes como Valentino, Club Med - que estava sendo lançando no Brasil -, Guilherme Guimarães, Paco Rabanne, Hippopotamus, do Ricardo Amaral, e estava lançando o Club Gallery, Hotel Copacabana Palace, entre outros. Nesse pacote, além de fazer fotos de publicidade desses clientes todos, tinha de fazer a coluna dele, que era publicada no jornal Ultima Hora. Daí tinha de sair na noite para fazer as fotos.
img1Ana Maria Braga.
Você gostava?
Eu odiava, mas não tinha jeito, estava no pacote. Durante dois anos fiz a coluna, fazia cinco pautas por noite, de terça a sábado. Tinha que passar no Regine's, Papagaio, Hippopotamus, Le Jacquet, Clydes e o Gallery - que tinha acabado de abrir - além de festas nas mansões high society. Saí da agência dois anos depois, mas ao assinar fotos na coluna ganhei grande visibilidade. Aí fui trabalhar para o Gallery, na parte de publicidade, capa de disco do Night Club, ou fotografando os pratos do Giancarlo Bolla. Colaborava também na revista do Gallery, que era editada por Joyce Pascowitch.
img1Eva Wilma, Christine Torloni e Marta Suplicy.
Quem mandava e desmandava na noite de SP?
Quem mandava era quem pagava a conta desses clubs privés, caríssimos. Quem tinha muito dinheiro eram os sócios, que pagavam uma grana alta. Os novos ricos também mandavam, gastavam muito, queriam se misturar ao high society e aparecer nas colunas sociais do Giba Um, da Alik Kostakis ou do Tavares de Miranda - e de um novo colunista que estava em ascensão, Amaury Jr. Era sempre um tumulto quando chegavam essas personalidades. Quando o Ricardo Amaral vinha a São Paulo todos queriam vê-lo com a Gisela Amaral, era uma festa. Quem mandava também era o quarteto do Gallery: Victor Oliva, José Pascowitch, Gugu di Pace e Giancarlo Bolla.
img1Beatriz Segall, Eleonora Mendes Caldeira e Iris Bruzi.
Qual a diferença das festas das décadas de 70 e 80 para hoje?
Hoje não existe mais glamour em boite, clube privé, etc. De vez em quando tem uma grande festa no Leopolldo, que lembra um pouco aquela época. O glamour hoje está nas festas black tie, que acontecem nas mansões dos ricos.
Qual mulher mais lhe impressionou diante da câmera?
Fotografei atrizes de A a Z e algumas modelos. O maravilhoso mesmo é fotografar as atrizes. Elas são mágicas. A primeira que fotografei, profissionalmente, foi a Bruna Lombardi. Já era modelo famosa na época, tremi dos pés à cabeça, mas ela me deixou totalmente à vontade, maravilhosa, simples e adorável. Me impressionou como ela se portava e crescia diante da câmara e das luzes. Tem várias divinas: Dalma Callado, Christiane Torloni, Eva Wilma, Beatriz Segall, Irene Ravache, a Luiza Brunet.
Você tem histórias engraçadas com Aldine Muller e Roberta Close. Conte-nos um pouco destas histórias.
Quando saí da Manager, fiquei meio perdido, sem noção pra que lado ir e comecei a atirar pra todo lado. Trabalhei na revista Status, para a Perla Naum, e Homem, as primeiras de nu feminino, e fotografei muitas mulheres. Foram as fotos mais difíceis que fiz, pois na época tinha censura que restringia o trabalho dos fotógrafos. Já conhecia a Aldine (Muller), ela foi capa do meu primeiro livro - ela e a Bruna Lombardi foram as mulheres que mais fotografei nesses anos. Fiz vários ensaios de nu com a Aldine. O engraçado é que ela assinava o contrato com a revista e toda vez que tinha de tirar a roupa era uma choradeira, não queria de jeito nenhum ficar nua. Depois que a convencia a tirar o roupão, ela se entusiasmava e liberava geral. Aí queria ficar nua de vez, o difícil era ela vestir roupa de novo. Certa vez, fomos fazer um ensaio nas ruas da Barra Funda e ela estava na porta de um casarão. Combinamos que, quando viesse um carro, ela entraria porta adentro. De repente apareceu um carro e ela não saiu da porta. Quando o cara viu a Aldine nua, perdeu a direção, subiu na calçada e quase entrou num poste.
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