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Champanhe no gelo


Os bastidores do trabalho e da vida dos promoters que mais agitam a cidade, sempre cercados de glamour, famosos e, claro, muita festa


Por Haroldo Pereira Jr. Foto de abertura Morgade Produção Debora Brandt Assistente Giuliana Giunti M

Danilo Faro, Alicinha Cavalcanti e Helinho Calfat homenageiam, nesta foto para Go Where, uma das mais famosas festas da história do jet set, o baile de máscaras Black and White, sob a batuta do escritor americano Truman Capote, no verão de 1966, em Nova Iorque

foto: divulgação

QUADRA DE RAINHAS
A pioneira Alice Carta, com Carol Pahim, Rosana Beni e Fernanda Barbosa: mulheres poderosas que mandam na lista de convidados de festas e eventos

Eles aparecerem para o grande público nas "novelas socialites" de Gilberto Braga, como Dancing Days, de 1978, ou Paraíso Tropical, no ano passado. Passaram assim a habitar o imaginário coletivo, como símbolo de glamour. Eles, os promoters, regem o charme de uma festa, sempre rodeados de gente que brilha - artistas, colunáveis, empresários e gente simplesmente bonita. Todos catalogados em suas listas, os famosos mailings, de onde saem os convites - e muitos deles fazem jus ao termo "disputados a tapa". Numa cidade de agenda social intensa, como é São Paulo, a presença desses profissionais se torna fundamental. São os anfitriões dos anfitriões. Devem estar sempre sorridentes, extremamente gentis e atenciosos. Porém, com a responsabilidade extra de fazer tudo funcionar. Mas seu lado mais fascinante é quando são focados pela ótica da dolce vita. Afinal, promoters são em si boêmios incorrigíveis. São ligados como radares ambulantes na busca do que é bacana. O real prazer para quem procura diversão e arte. Danilo Faro, 32 anos, podia seguir a carreira de sucesso do irmão, o ator Rodrigo Faro. Também fez campanhas publicitárias para produtos infantis, mas já na adolescência era promoter das matinês de clubs como Limelight e Kremlin, ao lado de colegas como Luana Piovani (hojel atriz), Michel Canan (atual empresário de entretenimento) e Luciana Curtis (agora top model). Hoje, em sociedade com a assessora de imprensa de artistas Pini Montoro, Danilo comanda um escritório de onde saíram os convites para festas da TAM, para uma turnê de Djs internacionais pelo rum Baccardi e celebrações de grifes, como Dior e Tiffany, unindo mulheres elegantes e artistas cheias de estilo. "Ser promoter é gostar da noite, não se incomodar de acordar cedo mesmo dormindo tarde e adorar fazer contato o tempo todo que estiver acordado", define. Da mesma geração, Carol Pahim, 29, fazia parte precocemente da equipe do Cabral, o club mais fervido dos anos 90 e que formou uma geração de descolados. Há dez anos, ela reúne, com 60 pares de convite, a ala paulistana social que pisa no camarote da Brahma a cada carnaval carioca - uma das disputas mais acirradas na cena social da cidade, todo ano. "Ter jogo de cintura é o mais difícil. Mas você acaba encontrando, inclusive, a maneira certa e educada de dizer não para quem ficou de fora", conta Carol. "Ao mesmo tempo, tenho convites na boca do camarote para aquele megavip que chega de repente, até do exterior. O Mario Bernardo Garnero é exemplo. E sempre bem acompanhado", revela.

O item básico de um promoter é o seu mailing. No mínimo, 10 mil nomes apurados, entre notórios de âmbito nacional, profissionais renomados da chamada indústria criativa (moda, decoração e mídia de estilo) e mais um milheiro de belos e belas. E todo mailing tem o topo da pirâmide composta pelo showbiz, os muitos vips e os mais estilosos. Depois, existem as listagens secundárias, com critérios criados por cada profissional. "Pelo menos 80 % dos nomes do mailing você tem que conhecer", diz Alicinha Cavalcanti, uma das promoters mais requisitadas no país e de personalidade tão alto astral e faiscante como uma festa. Suas ações vão de camarotes de grandes shows, como o dos Rolling Stones em Copacabana, até lançamentos de carros, como os da Audi. "Para cada evento desse tem que avaliar quem combina com a ocasião e, ao mesmo tempo, estar preparada para receber telefonemas de quem nunca imaginou. Um político pode ter seus interesses num show de rock", diz ela, lembrando o mix de convidados. Em cerca de duas horas, o promoter cria a lista de 500 convidados de cada evento. E sempre indo ao encontro dos interesses da empresa ou do produto que será festejado. Uma empresa de produção de eventos costuma montar tudo: do convite aos souvenirs dados no final. "É uma relação às vezes complicada, pois seu contratante pode investir numa produção errada para os que temos que convidar. Vai de um DJ a um item de bufê equivocado. E geralmente o tempo é limitado. Quando não, dá para arrumar", conta Helinho Calfat, 29. Com uma ótima idéia, passou a figurar hoje entre um dos mais ativos profissionais da área. Primeiro, montou um mailing só com os pós-adolescentes da sociedade, há quatro anos. A estonteante filha de Donata Meirelles, Heleninha Bordon, hoje musa da juventude dourada da cidade, saiu dessa lista. Com esse trunfo, Helinho capitaneou festas como a do prêmio Vídeo Music Brasil, da MTV, e para a Triton e LG, entre outras. Ganhou também a confiança dos pais e de artistas como Sabrina Sato e Bruno Gagliasso - amigos inseparáveis.

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