Ana Paula Junqueira
 Responsabilidade socialite Por Celso Arnaldo Araujo Fotos Daniel Cancini Coordenação Sidney Osiro Hair e Make up Marcos Proença
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| De cima para baixo: com o marido Johan, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e com crianças no Amazonas |
Nasceu em boa família, numa fazenda em Santa Rita do Passa a Quatro, interior de São Paulo.
Desde adolescente, sempre esteve nas altas rodas, aqui e na Europa. Mas hoje, aos 38 anos, casada com o milionário sueco Johan Eliasch, dono da grife Head de artigos de tênis, Ana Paula Junqueira pertence à high-high-high society internacional, o mundo feérico e poderosíssimo dos ultramega jet-setters. Almoça com o primeiroministro britânico Gordon Brown na Downing Street, em Londres, na semana seguinte hospeda em sua casa de São Paulo o príncipe Andrews, para logo em seguida encontrar-se com o exvice- presidente Al Gore, em Nova York. Entre um compromisso e outro, frequenta as melhores festas do planeta com sua melhor amiga, a top Noemi Campbell. Mas Ana Paula é chique mesmo em sua obsessão pelo meio ambiente e, particularmente, pela floresta amazônica.
A maior credencial do casal nessa cruzada ambientalista é uma fazenda de 140 mil hectares no Amazonas - uma área maior do que a cidade de Londres, que eles mantêm intocável, ensinando aos nativos a explorar a terra com princípios de sustentabilidade. Ana Paula é uma socialite sustentável - na melhor acepção do termo
No Brasil existe preconceito contra gente feia e pobre - e contra mulheres bonitas e ricas que se envolvem em causas sociais. Você se sente levada a sério hoje?
Eu não me engajei na causa do meio ambiente para ser levada a sério pelos outros. Fiz porque era um projeto de vida que me fascina. Hoje posso estar ao lado de pessoas que têm muito a me ensinar e sou uma eterna aprendiz. Vou atrás, me empenho, quero a cada dia saber mais. Do lado dessas pessoas eu penso comigo mesma: como eu gostaria de ser mais inteligente e de saber mais! Isso me motiva a continuar levando a mensagem às pessoas e inspirá-las nessa direção.
Quem é seu grande guru na área do meio ambiente? O Al Gore?
O Al Gore é muito criticado, mas, para mim, foi sensacional ao colocar de maneira fácil, para pessoas como eu, o drama do aquecimento global - e as relações de causa e efeito entre o consumo exagerado e as reações da natureza. Nas conferências que ele faz sobre meio ambiente, tudo é muito objetivo e claro. Por isso gosto muito dele.
Você não consome exageradamente?
Eu falo do consumo de massa. De árvores derrubadas para fazer papel. Daí a cultura da reciclagem que temos de adaptar à nossa vida.
Você é uma ambientalista de gabinete ou de rua?
Meu marido é assessor do Gordon Brown (primeiro-ministro da Grã-Bretanha) para questões de desmatamento e aquecimento global. Por isso, estou sempre ligada a um pessoal de gabinete. Mas também vivo a realidade das florestas, porque a ação tem de ser imediata. Não dá mais para esperar - ou a conta que nós vamos pagar no futuro será insuportável. Se fizermos uma adaptação ambiental agora, podemos até fazer disso uma coisa lucrativa. Alguém imaginou há 15 anos que a internet fosse gerar o volume de dinheiro de hoje? Com o meio ambiente é a mesma coisa. Empresários só vão se engajar quando vislumbrarem um ganho nesse processo.
No seu dia-a-dia você é ecológica?
Além do projeto da Amazônia, faço uma série de pequenas ações - como não deixar meu carregador ligado e não gastar muita água. A água vai ser um grande problema no futuro. Tomo banho rápido e não deixo torneira aberta enquanto faço outra coisa. Ensino o pessoal de casa a separar o lixo.
Qual é a verdade sobre o Amazonas?
O desmatamento das florestas tropicais em todo o mundo é intenso - e as mudanças climáticas de hoje têm muito a ver com isso. Aqui em São Paulo, vivemos verão com seis graus acima da média. Na Europa, um inverno com seis graus abaixo. Mas o desmatamento é a questão ambiental de mais fácil solução. É só parar de cortar e queimar. Não é como deixar o carro em casa, desligar a luz, coisas que alteram nosso cotidiano. É só deixar de cortar. Parece fácil - e é fácil. Basta impedir.
Você nasceu em fazenda. Foi criada na natureza. Mas esse seu lado de ativista ambiental ficou mais forte depois do casamento com o Johan?
Sempre gostei da natureza e fui a grande incentivadora do Johan para ele comprar as terras no Amazonas. E muita gente não entendeu bem nosso objetivo, que é voltado para o bem. Disseram que tinha gringo comprando a Amazônia. Não era um gringo, mas um sueco casado com uma brasileira há sete anos e que tem casa no Brasil. Mas a gente vai levando.
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