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No closet com Isabella


A top aconselha anônimas a se vestirem melhor no programa Esquadrão da Moda e dá um show permanente de elegância, bom gosto e refinamento


Por Haroldo Pereira Jr. Foto Daniel Cancini Agradecimentos M.O.B. (locação)

fotos: divulgação
Com Arlindo Grund, seu parceiro no Esquadrão da Moda, do SBT. "Se aparecer uma periguete, garanto que vai sair chiquérrima"

Nem um bolsa croco autêntica?

Nem pensar. Não uso nada de pele. Sou ecológica radical, de atuar em ONG.

A Gloria Kalil afirma que estamos passando pelo fim da moda e começando a era do estilo. Concorda com ela?

Com certeza! O programa, por exemplo, é adequação para o que é novo em tudo: dos tecidos às tendências. Calça cenoura, por exemplo, é o hit da temporada, mas precisa ver se cabe para todo mundo, mesmo ela sendo bem adaptável. E não posso deixar de lado a ousadia e o charme.

Voce fez parte do boom fashion paulistano nos anos 90, como modelo. O que mudou?

Ficou muito mais business, o que é muito bom. Chegávamos horas antes do desfile, ficávamos jogando baralho, rindo com os cabeleireiros e maquiadores. Agora, as modelos não têm mais tempo para isso.

A gente tinha de ser magra ou ter corpo legal. Hoje precisa ter bunda dura, peitos na medida, enfim, tem de estar incrível. E o cachê mudou muito. Imagina, a modelo principal ganhava 800 reais em um desfile! Todo mundo se profissionalizou, até a camareira.

As modelos dão entrevistas, viram notícia e são capa de revista. Estão mais cultas, pois não podem ser bobinhas e também viajam muito. Naquela época, não tinha muita chance de a gente dar certo lá fora. Agora inverteu tudo: elas hoje já entram pensando na carreira internacional. Você explode primeiro lá para depois ficar famosa aqui.

Quem você acha que tem estilo também fora da passarela?

Adoro a Isabel Goulart, que é bem a síntese do que falei. A Isabelli Fontana tem uma coisa fresh, gostosa. E adoro a Lara Gerin, que é da minha época, é minha amiga e mantém um estilo bem dela nos looks.

Modelo sempre tem bom gosto?

Sempre gostei de moda e sempre fui vaidosa. Chegava nos desfiles de escova feita, cheirosa. Para fazer o que faço hoje, fiz um curso de consultoria de imagem. E aprendi a estudar o corpo, saber o que cai bem com cada anatomia. Não é só receitar looks. Mas quando falam que modelo veste mal, acho radical. Difícil algo não ficar bem numa modelo.

E a fama que ficou de modelo patricinha?

Nunca fui. Acordo cedo, trabalho muito. Essa imagem ficou marcada, porque na época o bacana, entre as modelos, era usar roupas de brechó. Eu queria só roupa nova. Era excluída mesmo (risos). Minha turminha era das meninas mais arrumadas. E sempre achei patricinha uma coisa muito chata tipo "tem de ter tal bolsa, tal jeans e estar na lista de espera daquele sapato". Isso nunca fui.

Teria paciência para ser personal de uma celebridade?

Jamais! Se às vezes não tenho saco de me vestir, imagina para um famoso.

Como você se cuida?

Só coisa natural. Iogurte no rosto e cabelo. Se aparece uma queimadura, passo clara de ovo. Meu shampo tem validade de dois meses e fica guardado na geladeira.

Foto: Felipe Lessa/divulgação
Com qualquer modelito, um porte impecável

Para as "it girls" da cidade, você virou um símbolo. Casou com um rapaz belo e bem-sucedido, numa festa que marcou. Qual o conselho para as casadouras?

Primeiro, ter um bom passado. Mulher tem de ter compostura. Não é ser careta, mas não se pode viver como se o mundo acabasse amanhã. É como uma tatuagem. Vejo isso por amigas minhas que aprontaram e hoje reclamam que ainda estão solteiras. Minha ficha está limpa (risos), pois não tive escândalos, fofocas pesadas em torno de mim. E isso hoje virou uma coisa importante. Vejo pelas garotas periguetes, que estão aí nas festas e nos clubs, ultra-sensuais. O homem é que tem de vir atrás da gente. Vi pela primeira vez meu marido no Forneira San Paolo e achei ele um gato. Mas fui muito discreta no assédio. Despertou da melhor maneira!

Então as periguetes precisam pensar duas vezes na atitude?

A mulher está num momento tão importante da história que a tal periguete é a antítese. Ela quer ser chamada de gostosa e ganhar fácil um homem. Mas se aparecer uma periguete em potencial no Esquadrão, garanto que ela vai sair chiquérrima (risos). Afinal, é preciso haver mulheres sensuais - senão seria um mundo muito sem graça.

E como preservar um casamento?

Não tenho a mínima preguiça de servir meu marido. Se ele está jogado no sofá e pede um misto quente, vou e faço. Sou segura e realizada e sei que o papel da mulher é importante no relacionamento. Cozinho todos os dias! E, em certos momentos, não deixo de colocar uma roupa mais provocante, mais sensual. Porque, aí sim, vale ser uma periguete bacana (risos).

Você estudou canto lírico. Quis ser soprano?

Era um grande sonho mesmo! Estudei muito. Sonhava em ser uma Maria Callas. Mas tenho um calo nas cordas vocais, o que ia afetar muito a carreira. Mas adoro musicais, como A Noviça Rebelde, ou óperas. Adoro Carmem, sei inteirinha!

E não pensa em largar a TV tão cedo?

Adoro o que faço. Se eu for uma Hebe Camargo no futuro, estaria felicíssima. Mas quero ter três filhos. Maternidade para mim é a maior dádiva da vida.

 

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