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Arte/Cultura
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Exposição

Clássicos revividos


A mostra Mitos & Ícones prega o desenvolvimento sustentável - na concepção do artista plástico e ativista ambiental Thiago Cóstackz, 11 celebridades fazem uma releitura de obras clássicas com elementos do ecossistema brasileiro


Por Laura Wie

Diana a caçadora Isabela Fiorentino

Diana/Ártemis, a Caçadora, de Leocares (325 a. C), exposta no Museu do Louvre, em Paris, era, na Grécia antiga, uma deusa ligada à proteção da vida selvagem e à caça. A estátua, que possui o tamanho levemente maior que o natural, é uma cópia romana de um original grego que se perdeu no tempo. Aqui, a interferência do artista se dá na troca do animal que acompanha Diana: em vez de um veado, um balão de ar no formato de uma onça pintada, sugerindo a fragilidade em que se encontram nosso felino e outros animais da fauna brasileira. A foto de fundo é uma imagem da Mata Atlântica, um dos ecossistemas mais ameaçados da Terra.

Vênus de Milo Carolina Dieckmann

A Vênus de Milo é uma estátua que representa a deusa do amor e da beleza Afrodite (ou Vênus, seu nome romano). A escultura em mármore tem mais de dois metros de altura e foi criada em 130 a.C, por Alexandros de Antióquia. Atualmente encontra-se no Museu do Louvre. Os braços da famosa estátua, que se perderam em um acidente no século XIX, foram repintados pelo artista com a cor verdefloresta, fazendo um paralelo entre a perda dos membros da escultura e a perda gradativa de nossas matas. A "ararajuba" que pousa suavemente sobre seu ombro esquerdo parece implorar à deusa pela sobrevivência de seu habitat.

A releitura de grandes obras da história da arte, recriadas com interferências pontuais que exaltam a frágil situação de nosso ambiente, foi o ponto de partida para a exposição Mitos & Ícones, que tem como destino final um objetivo ainda mais elevado: a fundação, em 2010, do primeiro Museu de Arte Contemporânea no norte e nordeste do Brasil e o único museu de arte sustentável do mundo. Potiguar de nascimento, Thiago Cóstackz busca levar para o Rio Grande do Norte - região com parcos índices de desenvolvimento humano - sério patrimônio artístico e a inclusão social.

Com a utilização de materiais recicláveis (matéria-prima proveniente de madeira de áreas reflorestadas e com selo FSC, tecidos à base de garrafas pet e porcelanato ecológico), o artista desenvolveu os figurinos, os cenários e os objetos de cena para a reinterpretação das imagens clássicas do universo artístico. A jornalista que assina esta matéria fez parte da abertura da exposição, com o privilégio de ter sido convidada para ser a deusa da imortalidade!

As Maçãs da Imortalidade de Iduna Laura Wie e Dalton Vigh

A pintura de J. Penrose, datada de 1890, originalmente chamada Iduna presenteia Thor com a imortalidade, traz Iduna, a deusa nórdica da imortalidade, arte e poesia, oferecendo um dos frutos do seu pomar sagrado. A promessa de vida eterna, na intervenção artística de Thiago Cóstackz, estende-se a um "homem-floresta", o ator Dalton Vigh, que sai do chão e humaniza-se, suplicando pela eternidade. É uma referência direta aos nossos ecossistemas ameaçados.


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